sábado , 18 novembro 2017
Capa > Direito > Propriedade Intelectual > Você rasga dinheiro? Não? Tem certeza disso?

Você rasga dinheiro? Não? Tem certeza disso?

Pensei muito sobre o título deste artigo… pensei em falar sobre desperdício de comida, mas ficaria longo demais… depois pensei em falar sobre desperdício de recursos naturais, para dar um ar “ecologicamente correto”, também ficou longo.

Por último lembrei de uma definição de louco: “louco é quem rasga dinheiro!” pareceu apropriado já que vou falar justamente disso, empresários que, sem saber, rasgam dinheiro.

O mercado é regido pela lei mais simples e mais funcional de todas: a lei da oferta e da procura.

Quanto mais “raro” é um item, mais valioso. Quanto maior a demanda por um ítem, mais seu valor aumenta (ágio), quando há superoferta seu preço cai (deságio), simples e objetiva.

Então imagine que você tem um produto que está cada vez mais difícil de obter, sua “colheita” demora por volta de 2 anos, mas há casos de mais de 6 anos de demora para obtê-lo, por vezes ele é considerado a jóia da coroa de uma empresa, custa relativamente caro para ser cultivado e, mesmo assim, por qualquer motivo alheio a todas essas observações, você não o quer mais, perdeu seu interesse nele.

O que você faz?

Abandona-o por aí, como se fosse lixo?

Coloca-o à venda, para pelo menos recuperar o que investiu?

Digo que no caso do produto que estou falando, em geral, 99% das empresas simplesmente o jogam no lixo, ou nem isso, simplesmente deixam-no à sua própria sorte, apodrecendo com o tempo.

Estou falando da MARCA.

Vou explicar:

Quando uma empresa abre suas portas uma das primeiras atitudes que toma (ou deveria tomar) é registrar sua marca, afinal, ela é a sua identificação com os consumidores, seu link com o mundo.

Para nossa análise vamos usar os números divulgados pelo INPI para o ano de 2008, visto que os de 2009 ainda não estão no site.

Em 2008 foram feitos 119.878 pedidos de registro de marcas, no mesmo período foram concedidas 60.268 marcas, prorrodadas outras 16.419, porém minha atenção especial é para outros números:

  • 93.894 marcas foram arquivadas
  • 22.357 foram extintas

Considere que uma marca pode ser arquivada por diversos motivos, mas em 2008 foram 32.295 indeferimentos, portanto, ainda temos 61.599 arquivamentos por outros motivos, em sua absoluta maioria (posso garantir mais que 80% sem medo de errar) pela simples desistência de seus titulares.

Então posso supor que dos pedidos de registro que ficaram aproximadamente 2 anos esperando uma decisão, gastaram valores que podem chegar a quatro mil reais, pelo menos 50.000 marcas foram simplesmente ABANDONADAS.

O pior é que muita gente pagaria por elas, afinal, um processo CONCEDIDO poupa 2 anos de espera, dúvidas, incertezas, investimentos.

Considere que niguém pode, na hora do pedido do registro, garantir que uma determinada marca será efetivamente DEFERIDA pelo INPI, podemos no máximo é indicar que ela tem excelentes chances de registro, pois mesmo nos casos em que todos os indícios estão a favor ainda há variáveis que podem destruir o trabalho, como por exemplo um logotipo que seja similar ao de um concorrente ou viole um direito autoral que não conhecíamos na época.

Recentemente eu descobri que o logotipo que uma cliente minha queria registrar fora copiado de um logotipo de um evento para o mesmo produto, o pior é que ela foi enganada pela agência de publicidade que disse que criou o gmick, mas eu localizei – por acaso – o verdadeiro criador e alertei-a, como prever algo assim? Impossível!

Então, uma marca DEFERIDA já passou todo esse período de dúvidas, anseios e medo do indeferimento.

E a pessoa simplesmente a ABANDONA… como se fosse um pão mofado, pior… ela nem dá chance de alguém consumí-lo, deixa dentro de uma caixa, fechado, em uma sala escura que só vai ser aberta tempos depois.

Porque digo isso? Porque uma marca DEFERIDA que não tem as taxas finais pagas só tem o despacho de ARQUIVAMENTO publicado tempos depois, algumas levam mais de 1 ano para que isso ocorra.

Não conseguiu perceber ainda o potencial do que estou falando?

Vou inverter a situação.

Você está abrindo sua empresa, escolheu um determinado nome que é o resumo de tudo que você deseja para esta empresa, é simplesmente PERFEITO!

Quando você procura uma empresa para fazer o registro dessa marca é alertado que já existe um pedido anterior e o risco de indeferimento é grande, pois se a outra empresa tiver o pedido deferido e pagar as taxas finais sua marca será INDEFERIDA e seu sonho acaba.

Se esta empresa tiver a marca arquivada por falta de pagamento seu processo será deferido e você poderá realizar o sonho da MARCA PRÓPRIA, mas daí vem o outro problema, levará pelo menos 1 ano para descobrir o que aconteceu, isso porque o INPI demora a publicar estas decisões e não fornece informações sobre o pagamento ou não de tais taxas, portanto, você depende exclusivamente da publicação, que pode demorar muito.

Considerando isso tudo, você não acha que seria razoável pensar que pelo menos uma parte dessas marcas abandonadas pode ter um “mercado”?

Não seria justo pensar que elas poderiam ser colocadas à venda e poderiam haver interessados?

Vamos fazer umas contas?

Se temos pelo menos umas 50.000 marcas abandonadas em 2008 e aplicando um percentual baixo, digamos uns 5% destas marcas tem atrativos para tornarem-se vendáveis, teríamos umas 2.500 marcas à venda? Some-se um percentual idêntico para as marcas extintas (a única causa da extinção é a falta de renovação), teríamos pelo menos umas 3.600 marcas à venda só no ano de 2008.

Vamos pensar que estas marcas são vendidas por valores muito baixos, digamos o custo que geraram e um ágio de 100%, falaríamos de um mínimo de R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00 então me explique:

PORQUE TEM TANTA GENTE RASGANDO DINHEIRO?

Vale citar que os números de 2009 são bem maiores, tanto na quantidade de pedidos quanto nas decisões de processos, portanto devemos falar de bem mais que os ditos 3.600 casos usados neste artigo.

Você compraria uma marca (registrada e sem pendências) de outra empresa?

View Results

Carregando ... Carregando ...

Então, antes de abandonar sua marca, tente vendê-la!

Nem todas conseguem, mas se você não tentar poderá estar disperdiçando um bom dinheiro.

E você que precisa de uma marca para sua empresa ou produto, considere a possibilidade de comprar uma marca que já esteja em processo de registro ou registrada, poupa tempo e dinheiro, além de ser uma coisa líquida e certa, é como comprar um bilhete premiado, não tem riscos nem dúvidas.

Pra apimentar as coisas vamos inserir uma pesquisa, assim tornamos esse artigo mais interativo, a pergunta é:

Se não tivesse mais interesse na sua marca, você estaria disposto a vendê-la?

View Results

Carregando ... Carregando ...

Claro que estamos falando de marcas sem pendências, devidamente verificadas pela nossa equipe, para suprir esta carência no mercado estamos criando uma divisão especializada neste tipo de intermediação, que estará apta a qualificar previamente marcas e investidores, informe-se.

Sobre Rudinei Modezejewski

Consultor em propriedade intelectual a 15 anos, desde 1999 mantém o site www.e-marcas.com.br, fundador do Avctoris (www.avctoris.com) e Sócio-Diretor do E-Marcas. Atuou também como consultor em Marketing Jurídico, é colunista de diversos sites e blogs (Administradores, TuDiBão, Webinsider, Consultores entre outros), hard-user de internet e redes sociais (Twitter, Ning, Grupos de Discussão do Yahoo, etc…) e gestor do portal Direito & Negócios, empreendedor compulsivo.

Check Also

Crescem as denúncias contra pirataria nas empresas

Estava lendo um artigo sobre a pirataria (mesmo título) e fiquei pensando: – Será que …

Um comentário

  1. Thiago Romero

    Prezado Rudinei, boa tarde

    Meu nome é Thiago, trabalhei por 9 anos na FAPESP, como repórter da Agência de Notícias da fundação (www.agencia.fapesp.br), e por um ano no Globo Universidade. Estou lhe escrevendo por conta de uma matéria sobre “Vida inteligente nas redes sociais” que estou escrevendo para a revista Conhecer, versão brasileira da BBC Knowledge, e eu gostaria apenas de saber se você tem interesse em participar respondendo à algumas questões (abaixo) até amanhã (10/9), se possível?

    A ideia da reportagem é mostrar que, em meio a todo o lixo que é gerado nas redes sociais, há conteúdo bacana e também produzir um guia para encontrar o pensamento de qualidade na internet. O nome da sua empresa/site certamente será divulgado na reportagem.

    Fique inteiramente a vontade para responder as perguntas que você puder ou quiser ok. Pretendo fugir dos sites tradicionais e focar especificamente em redes sociais e no seu valor como acesso a conhecimento. Se vc tiver algum material, artigo ou outros textos sobre o assunto para me enviar nesse primeiro momento, eu também seria muito grato.

    – Com base em sua experiência nessa área, hoje realmente é possível encontrar conteúdo de qualidade nas redes sociais? Aproximadamente, dá para ter idéia qual seria essa proporção, levando em conta que o entretenimento e os relacionamentos ainda são as principais funções dessas redes?

    – Que tipo de conhecimento útil é possível encontrar nessas redes nos dias de hoje? Pedagógico, científico, acadêmico, utilidade pública, etc.? E qual é a confiabilidade desses conteúdos, umas vez que teoricamente qualquer pessoa pode postar o que julgar conveniente?

    – Quais são os principais exemplos “de sucesso”, dentro desse novo contexto de “conhecimento interessante e útil em redes sociais”, que você apontaria? Porque?

    – Fiquei sabendo, por exemplo, que a NASA está fazendo uso do Twitter para divulgar seus trabalhos e missões. Você conhece essa ou outras iniciativas semelhantes? Até que ponto essa troca de infomações pode ser útil e agilisar os processos de pesquisa, ou então, ao contrário, pode representar um rico por lidar, por exemplo, com dados estratégicos e condidenciais das grandes empresas, grupos, etc?

    – No seu ponto de vista, quais as principais vantagens e desvantagens desssa nova proposta de divulgação de projetos e disseminação de novos saberes pelas redes sociais?

    – Gostaríamos de indicar iniciativas bacanas sobre determinados assuntos nas redes sociais em áreas temáticas como Ciência, História, Cultura (literatura, música etc.) e Conexões profissionais? Você conhece algo nessas áreas para nos indicar, além das listadas abaixo? Fiz uma rápida pesquisa e deveremos indicar as seguintes referências na matéria;
    http://cafehistoria.ning.com (está no twitter também)
    http://www.ted.com (http://twitter.com/tedtalks)
    http://twitter.com/eciencia (e entidades que sigam a Estação Ciência da USP)
    http://www.followscience.com
    http://www.skoob.com.br
    http://www.linkedin.com

    – Para concluírmos, gostaríamos de ter uma avaliação geral sua sobre o estado atual dessa disseminação de novos conhecimentos em diferentes áreas do saber pelas redes sociais e também quais as parespectivas futuras e tendências do setor para os próximos anos? Vale inlcuir nessa resposta, se possível, alguma informação pertinente sobre o assunto que não tenha sido perguntada nas questões anteriores.

    Muito obrigado pela atenção,

    Thiago Romero

    11 – 7415-6312

Deixe uma resposta